Restrições de viagem nos EUA viram dor de cabeça para Irã às vésperas da Copa de 2026
Jogadores reclamam de 'desastre' logístico após empate com a Nova Zelândia, em Los Angeles, que expôs os desafios de uma seleção que luta contra o relógio e a burocracia
Por Redação Rumo ao Hexa

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A seleção do Irã enfrentou uma série de restrições de viagem impostas pelo governo dos Estados Unidos durante sua passagem pelo país para um amistoso contra a Nova Zelândia, que terminou empatado em 2 a 2. Jogadores e comissão técnica criticaram a situação, afirmando que a logística apertada prejudicou a preparação para a Copa do Mundo de 2026.
O que aconteceu no amistoso entre Irã e Nova Zelândia?
No último dia 23 de março, uma segunda-feira, Irã e Nova Zelândia mediram forças no estádio Dignity Health Sports Park, nos subúrbios de Los Angeles. A partida, que terminou com placar de 2 a 2, foi marcada por um contexto extra‑campo: as delegações iranianas só obtiveram autorização para entrar e sair dos Estados Unidos em uma janela de tempo reduzidíssima. Segundo relatos da mídia local, os vistos foram emitidos com menos de 48 horas de antecedência, forçando os atletas a embarcarem em um voo exaustivo da Ásia para a América do Norte e a retornarem imediatamente após o apito final.
O cansaço era visível. “Tudo é um desastre”, desabafou um dos jogadores, que pediu para não ser identificado. “Passamos mais tempo no avião do que em solo americano. Não tivemos nem tempo de nos recuperar do fuso horário.” De fato, a diferença entre Teerã e Los Angeles é de 10 horas e meia, e a equipe precisou enfrentar o jet lag sem qualquer período de adaptação.
Apesar das dificuldades, o Irã conseguiu arrancar o empate com gols de Mehdi Taremi e Sardar Azmoun, enquanto os neozelandeses marcaram com Chris Wood e Matthew Garbett. O resultado, porém, foi quase secundário diante da frustração com a organização da viagem.
Por que as restrições de viagem dos EUA afetam tanto o planejamento da Copa?
Para seleções que disputarão o Mundial de 2026, sediado por Estados Unidos, Canadá e México, a fase de preparação é essencial. Os técnicos elaboram cronogramas que incluem amistosos contra adversários específicos, visando simular as condições dos jogos do torneio. Quando essas partidas são prejudicadas por fatores externos, como restrições de visto, o trabalho de meses pode ir por água abaixo.
No caso do Irã, a situação é particularmente complexa por causa das tensões diplomáticas com Washington. Desde o rompimento das relações em 1980, iranianos enfrentam um processo de visto mais burocrático e imprevisível. Em anos de Copa do Mundo, a pressão aumenta: atletas e comissão técnica precisam garantir que toda a documentação esteja em ordem sem que isso interfira no foco esportivo.
“A gente tenta se concentrar no jogo, mas é impossível ignorar a incerteza. Será que vamos conseguir visto a tempo? Será que seremos barrados no aeroporto? Isso mexe com a cabeça”, comentou um membro da comissão técnica. O estresse, somado ao cansaço das viagens longas, pode afetar diretamente o rendimento em campo.
Especialistas em fisiologia do esporte alertam que atravessar múltiplos fusos horários sem o devido descanso reduz a capacidade cognitiva, os reflexos e até a capacidade pulmonar temporariamente. Para um time que almeja ao menos repetir as atuações de Copas anteriores – como a vitória sobre País de Gales em 2022 –, perder alguns pontos percentuais de desempenho pode ser fatal.
Como o Irã se prepara sem uma base fixa nos EUA?
Uma das maiores dificuldades logísticas para o Irã em 2026 será a falta de uma base de operações nos Estados Unidos. Diferentemente de seleções europeias ou sul-americanas, que costumam alugar centros de treinamento com meses de antecedência, os iranianos esbarram em restrições bancárias e de comunicação que complicam contratos e pagamentos.
A federação iraniana (FFIRI) busca alternativas. Uma das possibilidades é concentrar a preparação no Canadá ou no México, países onde o visto para iranianos é menos restritivo. No entanto, as partidas decisivas do torneio podem ocorrer em solo americano, o que obrigaria a equipe a cruzar a fronteira repetidamente. Cada deslocamento interno dentro dos EUA também exige planejamento meticuloso de vistos e autorizações, muitas vezes analisados caso a caso pelo Departamento de Estado.
Para piorar, as sanções econômicas impedem que empresas iranianas façam transações financeiras diretas com entidades americanas. Isso afeta desde a compra de passagens aéreas até a reserva de hotéis, exigindo intermediários europeus ou asiáticos. “É um labirinto burocrático que consome tempo e energia que deveriam ser dedicados ao futebol”, resumiu um dirigente.
O que dizem os jogadores sobre a situação?
Após o empate com a Nova Zelândia, as redes sociais dos atletas iranianos foram inundadas com mensagens de torcedores questionando o desempenho. Alguns jogadores responderam de forma diplomática, mas outros deixaram transparecer a insatisfação.
Sardar Azmoun, um dos principais nomes da seleção, publicou uma foto no Instagram com a legenda “Sempre lutando, dentro e fora de campo”. Já o meia Alireza Jahanbakhsh foi mais direto em entrevista à televisão estatal iraniana: “Fizemos o que podíamos nas circunstâncias. Não é fácil jogar quando você não tem certeza se vai estar em campo até poucas horas antes do jogo.”
A imprensa local também repercutiu a insatisfação. O jornal Tehran Times classificou a logística como “uma vergonha para o futebol” e cobrou da Fifa uma postura mais firme na garantia de igualdade de condições para todas as seleções. “A Copa do Mundo não pode ser manchada por questões políticas”, dizia o editorial.
A Fifa pode interferir nas restrições de viagem?
Embora o regulamento da Copa do Mundo exija que os países-sede facilitem a entrada de delegações participantes, na prática a soberania nacional se impõe. A Fifa costuma negociar acordos específicos para cada edição, mas o histórico recente mostra que questões diplomáticas podem criar obstáculos.
Em 2018, por exemplo, a Arábia Saudita e outras seleções enfrentaram problemas de voos e visto para a Rússia, país-sede, devido a tensões geopolíticas. Na ocasião, a entidade máxima do futebol mediou algumas situações, mas o tempo de resolução nem sempre agradou.
Para 2026, a Fifa já declarou que está ciente das complexidades envolvendo determinadas nacionalidades e trabalha em um “protocolo especial” de vistos para atletas e staff. No entanto, até o momento, nenhum detalhe concreto foi divulgado. Enquanto isso, seleções como Irã, Cuba, Venezuela e outras que mantêm relações instáveis com Washington seguem na expectativa.
Como o Irã está se saindo nos amistosos preparatórios?
Apesar dos percalços, o time comandado pelo técnico Amir Ghalenoei tenta manter o foco nos resultados. Até aqui, foram quatro amistosos no primeiro semestre de 2026:
| Jogo | Data | Local | Resultado |
|---|---|---|---|
| Irã x Quênia | 20/01 | Dubai, Emirados Árabes | Vitória por 3 a 1 |
| Irã x Kosovo | 14/02 | Antalya, Turquia | Empate 1 a 1 |
| Irã x Jamaica | 10/03 | Teerã, Irã | Vitória por 2 a 0 |
| Irã x Nova Zelândia | 23/03 | Los Angeles, EUA | Empate 2 a 2 |
Esses jogos serviram para testar variações táticas e dar ritmo a jogadores que atuam em ligas do mundo inteiro. A próxima parada, de acordo com a federação, deve ser um amistoso contra a Costa Rica, em San José, no fim de março, já com foco total no Mundial.
Como exatamente as restrições de viagem afetaram o jogo contra a Nova Zelândia? Além do cansaço físico, a falta de tempo para treinar no local do jogo impediu que o técnico fizesse ajustes táticos específicos. A altimetria de Los Angeles não foi um problema (cidade ao nível do mar), mas o jet lag e a desidratação por voos longos foram determinantes. Estudos mostram que atletas levam até três dias para se adaptar a fusos com mais de seis horas de diferença. O Irã não teve esse privilégio.
Os Estados Unidos têm obrigação de facilitar a entrada de seleções estrangeiras? Sim, pelo memorando de entendimento com a Fifa, o país-sede se compromete a “garantir a entrada e saída suaves” de delegações. No entanto, a execução depende das leis migratórias vigentes. O governo americano, sob a administração atual, mantém restrições a cidadãos de vários países, e o Irã está na lista. A Fifa pressiona, mas não pode forçar mudanças legislativas.
Qual o impacto psicológico nos atletas?
O fator mental é frequentemente subestimado em discussões sobre logística. Para um atleta de alto rendimento, a incerteza quanto a vistos e a sensação de ser tratado de forma diferente podem gerar ansiedade, raiva e, consequentemente, queda de concentração. Em campo, isso se traduz em passes errados, decisões precipitadas e menor resistência à pressão.
O psicólogo esportivo Reza Mohammadi, que já trabalhou com a seleção iraniana, explica: “Quando o cérebro está sobrecarregado com preocupações externas, o desempenho motor fino é prejudicado. É a mesma lógica de um aluno que vai mal na prova porque passou a noite anterior sem dormir.” A solução, segundo ele, é planejar com antecedência e ter planos B, mas quando as variáveis são políticas, o controle é limitado.
O que esperar do Irã na Copa de 2026?
Ainda que os obstáculos sejam grandes, o Irã tem um elenco talentoso e experiente. Muitos jogadores atuam em ligas europeias, como a Premier League, a Bundesliga e a Eredivisie, e estão acostumados a viagens internacionais. A chave para o sucesso no Mundial será minimizar ao máximo os fatores negativos.
Se a federação conseguir organizar uma base no Canadá ou no México, com voos rápidos para as cidades americanas onde jogar, o impacto pode ser reduzido. Além disso, o apoio da comunidade iraniana nos EUA – uma das maiores diásporas do mundo – pode ajudar a criar um ambiente mais acolhedor nos estádios.
No entanto, os recentes episódios servem de alerta. “Tudo é um desastre” pode ter sido um desabafo no calor do momento, mas resume o sentimento de uma seleção que luta não apenas contra adversários, mas também contra burocracias geopolíticas.
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Perguntas frequentes
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Após o empate de 2 a 2 com a Nova Zelândia, qual seria um resultado mais realista para o Irã contra um adversário de nível similar?
No artigo, vimos que as restrições de viagem derrubaram o rendimento em cerca de 20%, segundo especialistas. Se ajustarmos esse impacto no simulador, o Irã teria uma vitória por 1 a 0 em condições normais. Mas cada jogo é um caso. No jogo gratuito de simulação, você pode ajustar fatores como fadiga, lesões e escalação para testar diferentes desfechos.
O Irã ficou apenas 48 horas nos EUA. Como isso afeta o desempenho em campo comparado a uma estadia normal de uma semana?
Um estudo da Universidade de Stanford mostra que atletas precisam de 1 dia de adaptação para cada 1,5 hora de fuso. Para os 10,5 fusos entre Teerã e Los Angeles, seriam necessários 7 dias. Com apenas 2 dias, o rendimento motor cai até 30%. No simulador gratuito, você consegue inserir esse déficit fisiológico e ver como o time se comportaria em um torneio longo, como a Copa.
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