Análise tática

O que está por trás da demissão de Sabri Lamouchi? Uma análise do primeiro jogo da Tunísia na Copa

Depois da dura derrota para a Suécia, a federação tunisiana demitiu o técnico logo na estreia. Mas o que pesou na decisão e o que isso significa para o restante do torneio?

Por Redação Rumo ao Hexa

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O que está por trás da demissão de Sabri Lamouchi? Uma análise do primeiro jogo da Tunísia na Copa

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Sabri Lamouchi foi demitido do comando da seleção da Tunísia após a derrota por 5 a 1 para a Suécia na partida de abertura do Grupo G da Copa do Mundo. O resultado vexaminoso, somado a tensões internas já existentes, levou a Federação Tunisiana de Futebol a agir de forma drástica, interrompendo um trabalho que mal havia começado no torneio. A decisão, anunciada horas depois do apito final, expôs a falta de confiança no treinador francês e a urgência por uma reviravolta improvável.

O cenário era de puro desalento. Jogar em Estocolmo, contra uma Suécia bem postada diante de sua torcida, já seria um desafio complicado. Mas a forma como a Tunísia se desfez em campo — com três gols sofridos em um intervalo de 15 minutos no primeiro tempo — acendeu todos os sinais de alerta. A defesa batia cabeça, o meio-campo não protegia e o ataque raramente ameaçava.

Os números do jogo refletem o desastre. A Suécia finalizou 18 vezes, com 10 chutes no alvo. A Tunísia, por sua vez, teve míseras 4 finalizações, e seu gol solitário saiu de um pênalti já nos acréscimos, quando o placar já marcava 4 a 0. O domínio sueco foi tão avassalador que a posse de bola tunisiana raramente passou da intermediária adversária.

O que a demissão de Lamouchi diz sobre o futebol africano?

A decisão de demitir um técnico logo após a primeira rodada de uma Copa não é inédita, mas está longe de ser comum. Ela escancara uma característica marcante do futebol africano em torneios globais: a alternância constante entre euforia e crise. Lamouchi assumira a equipe havia menos de um ano, com a missão de implementar um estilo mais ofensivo e moderno, algo que nunca se materializou de fato.

A goleada não foi a única responsável pela queda. Relatos da imprensa local indicam que o treinador perdera o vestiário semanas antes do embarque para a Suécia. Jogadores veteranos questionavam as escolhas táticas e a falta de padrão nos treinos. Um jornalista do La Presse Sports, que acompanha o dia a dia da seleção, resumiu o clima em Túnis como "um velório anunciado" desde o empate em um amistoso contra Botswana, em junho.

Como uma derrota pode custar o emprego de um técnico de Copa?

Imagine um boxeador que treinou meses para um duelo e cai feio no primeiro round. Foi mais ou menos isso. A Tunísia entrou em campo desorganizada, e os suecos não tiveram piedade. Alexander Isak marcou dois gols, um deles após uma falha grotesca na saída de bola. Dejan Kulusevski, leve e esperto, infernizou a lateral esquerda tunisiana. O placar em 5 a 1, longe de ser um acidente, mostrou uma diferença de nível que a comissão técnica não conseguiu, ou não soube, reduzir.

Um ponto que pesou muito na demissão foi a escalação surpreendente. Lamouchi optou por deixar no banco o meia Ellyes Skhiri, um dos poucos tunisianos com experiência consistente em uma grande liga europeia. A justificativa oficial falava em "controle físico", mas ninguém entendeu. Skhiri, que atua na Alemanha, poderia ter dado mais combate ao meio-campo sueco. A escolha do treinador, agora analisada em retrospecto, parece uma tentativa teimosa de se provar que falhou completamente.

Por que Skhiri ficou de fora? A alegação de Lamouchi era que o volante ainda sentia um desconforto na panturrilha direita após os treinos intensos da primeira semana. A fisioterapia da equipe, no entanto, havia liberado o atleta. Foi uma decisão do técnico, que preferiu não arriscar e se viu engolido pelo ritmo sueco.

O que a Tunísia precisa fazer agora? A próxima partida contra a Eslováquia é uma decisão antecipada. Com um interino ou novo comandante, a equipe precisa mostrar o espírito que faltou na estreia se quiser ter alguma chance matemática de avançar. O ponto positivo é que o adversário direto também perdeu na primeira rodada, então uma vitória recoloca a Tunísia, ainda que com saldo de gols péssimo, na briga pela vaga.

Quem assume o lugar de Lamouchi?

A federação tunisiana não demorou a agir, mas é cautelosa quanto à revelação do substituto. O nome mais forte nos bastidores é o de Jalel Kadri, auxiliar técnico que já comandou a equipe em caráter interino durante as eliminatórias. Ele conhece o grupo, tem a simplicidade de jogo que o elenco pede e, acima de tudo, não exige um período de adaptação — algo que um técnico estrangeiro traria.

Uma parte da imprensa, contudo, especula sobre um retorno de Nabil Maâloul, ex-técnico que levou a Tunísia à Copa de 2018. Sua experiência em mundiais seria um trunfo, mas Maâloul não tem tido boas passagens recentes, e sua relação com a federação atual não é das melhores. Kadri, portanto, parece o caminho mais natural, ainda que sem carisma.

A tabela abaixo resume o que já aconteceu no grupo e o que está por vir.

Confira os próximos jogos do Grupo G e os resultados da primeira rodada para entender o tamanho do desafio tunisiano.

JogoData e horário (local)Local
Suécia 5 x 1 Tunísia15 de junho, 16hFriends Arena, Estocolmo
Eslováquia 0 x 0 Paraguai15 de junho, 20hGamla Ullevi, Gotemburgo
Tunísia x Eslováquia20 de junho, 13hGamla Ullevi, Gotemburgo
Suécia x Paraguai20 de junho, 17hFriends Arena, Estocolmo
Paraguai x Tunísia25 de junho, 14hÖrjans Vall, Halmstad
Suécia x Eslováquia25 de junho, 14hSwedbank Stadion, Malmö

Os números não mentem. Para se classificar, a Tunísia precisará vencer os dois jogos restantes e torcer por uma combinação favorável de resultados envolvendo o Paraguai. É um cenário de calculadora, mas não impossível. Em Copas, já vimos viradas mais dramáticas. O Marrocos, em 2022, perdeu o primeiro jogo e chegou às semifinais.

A pressão sobre os ombros de uma nação

O futebol na Tunísia carrega um peso político e social enorme. É a válvula de escape de uma juventude que enfrenta 17% de desemprego e uma crise econômica persistente. A seleção não entra em campo apenas para competir; ela carrega uma expectativa quase terapêutica de trazer alegria a um país combalido. Quando a derrota é acachapante como um 5 a 1, o impacto vai além do esporte.

Um colunista do jornal Assabah comparou o clima de luto nacional à eliminação precoce no Campeonato Africano das Nações de 2015. Na ocasião, a Tunísia foi eliminada nas quartas de final pela anfitriã Guiné Equatorial em um jogo polêmico, e a crise que se seguiu derrubou o então presidente da federação. Desta vez, a cabeça que rolou foi a de Lamouchi, mas a base do problema parece ser mais embaixo, nas escolhas dos dirigentes que o contrataram sem um plano de longo prazo.

A gente se pergunta: mudar o técnico agora vai mesmo funcionar? Dificilmente. As lesões que tiraram Issam Jebali e o lateral Ali Abdi da preparação deixaram o time ainda mais limitado. Lamouchi não era um mago, mas o elenco também não é um primor técnico. A mudança de comando pode, no máximo, tapar alguns buracos emocionais e apostar em um futebol mais reativo, jogado nas costas dos adversários que precisarão propor o jogo.

O novo treinador, seja Kadri ou outro, terá três dias para treinar antes do jogo contra a Eslováquia. É tempo suficiente para ajustar posicionamento e, principalmente, recuperar a confiança. Os jogadores mais experientes, como o goleiro Bechir Ben Saïd e o capitão Youssef Msakni, terão que liderar uma conversa franca no vestiário. Sem isso, nem milagreiro resolve.

O que você pode esperar do resto do torneio?

Dado o primeiro resultado, a Tunísia agora joga por honra e pela matemática. A derrota elástica para a Suécia põe o time em uma situação delicada nos critérios de desempate. A Eslováquia, que empatou com o Paraguai, se mostrou um time físico mas sem grande repertório, e um triunfo por mais de um gol pode começar a reescrever essa história.

Se a Tunísia vencer a Eslováquia, chegará à última rodada contra o Paraguai com a chance de decidir sua sorte. O Paraguai, que até o momento tem um ponto, joga de forma mais conservadora, então o duelo pode ser truncado. O fator anímico será decisivo, e a torcida tunisiana, que compareceu em bom número a Estocolmo, deve se fazer presente novamente.

No entanto, é preciso ser realista. A fragilidade defensiva exposta no primeiro jogo foi tão grande que qualquer adversário vai tentar fazer gols de cabeça, como os suecos fizeram. A bola aérea segue sendo o calcanhar de Aquiles do futebol do norte da África como um todo, e a Tunísia não foge à regra. Sem zagueiros altos e com bom tempo de salto, o time sofre contra seleções europeias que priorizam o jogo pelas beiradas.

Em meio a tanta incerteza, muitos torcedores se perguntam qual seria o placar se o jogo se repetisse com outra estratégia. Existe uma maneira curiosa e sem riscos de testar essa teoria: você pode escalar a Tunísia como bem entender e ver no que dá, de um jeito que só depende da sua análise e intuição sobre futebol. O jogo gratuito de simulação recria as condições da estreia com base nos dados reais da partida, mas deixa você no comando da escalação. Mude quem vai a campo, adiante a marcação, invente um esquema tático — e veja se o resultado é diferente. É de graça, na hora e sem arriscar nada. Sua análise está certa, ou a goleada era inevitável?

Perguntas frequentes

Isso é realmente grátis ou preciso depositar ou apostar dinheiro real?

É 100% grátis. Você não precisa fazer depósito, apostar dinheiro real ou fornecer qualquer informação de pagamento para usar o jogo gratuito de simulação. É uma experiência sem qualquer custo.

O resultado da simulação pode prever o placar do evento real?

Não. O jogo gratuito de simulação não é uma bola de cristal e não deve ser interpretado como uma garantia de resultado. Trata-se de um teste de pressão que você faz sobre uma previsão, mostrando onde as falhas táticas podem ocorrer, mas sem qualquer compromisso com o que vai acontecer de verdade no jogo.

Quanto tempo leva para fazer uma simulação e eu preciso baixar algo?

Você leva apenas alguns minutos para montar sua escalação e rodar os cenários. O jogo gratuito de simulação roda diretamente no seu navegador, sem necessidade de baixar nenhum aplicativo ou software.

Se eu escalar a Tunísia como Lamouchi escalou, a simulação também dá Suécia por 5 a 1?

Não necessariamente. Embora a ferramenta use os mesmos dados da partida real — como as 18 finalizações suecas e a baixa posse de bola tunisiana —, ela recalcula as probabilidades a cada nova jogada. Ao repetir a escalação de Lamouchi, você verá cenários semelhantes, mas outros resultados podem surgir nesse teste de pressão. A 5 a 1 foi apenas um dos muitos caminhos que aquele jogo poderia ter tomado.

A expulsão ou lesão de um jogador importante muda o placar na simulação?

Sim. Ajustes como a retirada de Alexander Isak do ataque sueco ou a entrada de Skhiri desde o início no meio-campo tunisiano alteram completamente o comportamento da partida no jogo gratuito de simulação. Cada mudança reflete uma nova probabilidade, e você pode testar centenas de combinações para ver qual delas, na sua opinião, teria segurado os 5 a 1.

*Este conteúdo tem caráter informativo. Apostas envolvem risco. Se precisar de ajuda, ligue para o CVV: 188.*

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