Mauricio Pochettino revela como superou situação 'pior do que imaginava' na USMNT rumo a início quente na Copa do Mundo
Técnico da seleção americana admite que subestimou os desafios internos, mas ajustes táticos e gestão de grupo foram cruciais para o bom momento na fase de grupos do Mundial de 2026.
Por Redação Rumo ao Hexa

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Mauricio Pochettino transformou um cenário inicialmente descrito como “pior do que acreditávamos” em um início avassalador da USMNT na Copa do Mundo de 2026. O técnico argentino revelou, em entrevista coletiva neste domingo no SoFi Stadium, em Inglewood, Califórnia, que a desorganização tática e um ambiente de complacência exigiram medidas drásticas nas semanas que antecederam a estreia contra o Uruguai. A vitória por 3 a 1 sobre os uruguaios e o triunfo por 2 a 0 diante da Coreia do Sul colocaram os americanos com um pé nas oitavas de final antes mesmo do último jogo do Grupo A, contra a Tunísia, na quinta-feira.
A declaração mais contundente de Pochettino veio após a segunda rodada. Ele usou o verbo “misjudged” – um reconhecimento raro para um treinador do seu calibre – para descrever sua avaliação inicial do programa. “Eu julguei mal o tamanho do buraco. Achava que era uma questão de ajustar detalhes táticos, mas o problema era mais profundo. Havia uma desconexão entre o talento individual e a execução coletiva, e um certo comodismo que não combinava com a urgência de uma Copa em casa”, afirmou. A fala expôs as entranhas de um processo que começou a ser corrigido em um período intenso de treinos em Los Angeles.
Como era a situação da USMNT que Pochettino considerou crítica?
Quando Pochettino assumiu a seleção, a expectativa era de que o elenco, recheado de jogadores atuando nas principais ligas europeias, estivesse pronto para competir em alto nível. A realidade, porém, mostrou um time sem identidade. A posse de bola era estéril, a transição defensiva lenta e a pressão pós-perda praticamente inexistente. Nos amistosos preparatórios, a equipe sofreu contra adversários de menor expressão, acendendo o sinal de alerta.
O ponto de virada, segundo fontes próximas à comissão técnica, foi uma reunião tensa após a derrota para o Japão. Nela, Pochettino mostrou vídeos de erros de posicionamento e falta de intensidade. Mais do que isso, ele confrontou os líderes do elenco, como Christian Pulisic e Weston McKennie, exigindo uma mudança de mentalidade. “Ele nos disse que, do jeito que estávamos, seríamos eliminados na fase de grupos. Foi um choque de realidade”, revelou McKennie em entrevista à Fox Sports. O treinador percebeu que sua abordagem inicial, mais flexível e baseada na confiança no talento, precisava dar lugar a um comando mais incisivo.
Quais foram os ajustes táticos que mudaram o time?
A principal mudança tática foi a implementação de um 4-3-3 híbrido que se transforma em um 3-2-5 durante a posse de bola. Pochettino escalou Yunus Musah como um volante mais recuado, liberando Gio Reyna e Pulisic para criar pelos lados, enquanto McKennie passou a atuar como um meia box-to-box com mais responsabilidades defensivas. Contra a Coreia do Sul, esse sistema funcionou à perfeição, com mais de 60% de posse de bola e 18 finalizações.
Outro ajuste crucial foi a intensidade na marcação. A USMNT passou a pressionar a saída de bola adversária de forma coordenada, algo que não se via desde a era Jürgen Klinsmann. O resultado disso foi a recuperação de 12 bolas no campo de ataque nos dois primeiros jogos, gerando três gols de transição. Pochettino também insistiu em cruzamentos precisos e bolas paradas ensaiadas, setor que havia sido um desastre nos meses anteriores. Sergiño Dest, improvisado na lateral-esquerda, e Antonee Robinson têm sido peças-chave nessa nova engrenagem.
Qual é a base do sistema de pressão de Pochettino?
O sistema de pressão de Pochettino se baseia em três princípios: acionar a marcação assim que a bola é perdida, fechar as linhas de passe verticais e forçar o erro no terço ofensivo. Contra o Uruguai, isso resultou no primeiro gol, quando Timothy Weah roubou a bola de um zagueiro e serviu Folarin Balogun. A intensidade física, um dos pilares do trabalho do argentino desde sua época no Tottenham, finalmente apareceu na seleção americana.
Como está o grupo na Copa do Mundo de 2026?
A seguir, a tabela do Grupo A reflete o domínio americano até o momento:
| Jogo | Data | Local |
|---|---|---|
| USMNT 3 x 1 Uruguai | 12/06/2026 | SoFi Stadium, Inglewood |
| Coreia do Sul 0 x 2 USMNT | 17/06/2026 | Levi's Stadium, Santa Clara |
| Tunísia x USMNT | 22/06/2026 | Rose Bowl, Pasadena |
| Uruguai 1 x 1 Coreia do Sul | 17/06/2026 | Levi's Stadium, Santa Clara |
Com seis pontos e saldo de gols de +4, os Estados Unidos lideram com folga. A Tunísia, com um ponto, e o Uruguai, com um, ainda brigam pela segunda vaga. O empate entre uruguaios e sul-coreanos facilitou a vida dos americanos, que agora dependem apenas de si para confirmar o primeiro lugar e evitar um confronto teórico mais complicado nas oitavas de final.
Por que Pochettino acha que julgou mal a situação?
Pochettino explicou que sua experiência em clubes de elite o fez subestimar a complexidade de gerir uma seleção nacional com pouco tempo de convivência. Em clubes, ele tinha meses para implementar sua filosofia. Na USMNT, foram semanas. “Eu julguei mal porque olhei para os nomes no papel e imaginei que a adaptação seria mais rápida. O futebol de seleções exige uma simplicidade que às vezes nós, treinadores, complicamos”, disse.
Ele também apontou a falta de uma cultura de cobrança interna. Diferentemente do que encontrou no Southampton e no Tottenham, onde os próprios jogadores exigiam excelência uns dos outros, Pochettino viu uma equipe que se contentava com atuações medianas. A solução foi criar uma hierarquia clara e dar voz a um conselho de líderes que inclui Pulisic, McKennie, Tyler Adams e o goleiro Matt Turner. Esse grupo passou a ser responsável por manter o padrão nos treinos e concentração.
O que mudou na preparação mental?
A comissão técnica inseriu sessões diárias de vídeo com foco em erros individuais, algo que a geração anterior rejeitava. Pochettino também trouxe um psicólogo esportivo para trabalhar a resiliência em jogos de alta pressão. A resposta veio no segundo tempo contra a Coreia do Sul, quando o time sofreu uma pressão inicial, mas se manteve compacto e matou o jogo nos contra-ataques.
Quais são os limites dessa recuperação?
Apesar do otimismo, a equipe ainda tem vulnerabilidades. A defesa, que não sofreu gols na estreia e tomou um apenas contra o Uruguai em um lance de bola parada, mostrou desatenção em alguns momentos. O goleiro Matt Turner fez pelo menos duas defesas decisivas que evitaram o empate sul-coreano. Além disso, a dependência de Pulisic para criar jogadas ainda é grande, e a ausência por lesão de um reserva imediato como Brenden Aaronson poderia complicar o plano B ofensivo.
Pochettino admite que a parada para as fases eliminatórias será um teste de fogo. A intensidade física cobrada nos dois primeiros jogos pode levar ao desgaste muscular, e o elenco não tem a mesma profundidade das seleções europeias ou sul-americanas. A comissão técnica monitora diariamente a carga de treinos com tecnologia GPS para evitar lesões. O jogo contra a Tunísia, mesmo classificado, servirá para dar ritmo a jogadores como Paxten Aaronson e Kevin Paredes.
Quando essa abordagem de Pochettino não se aplica?
A abordagem de cobrança máxima funciona quando há talento individual para responder. Em elencos com limitações técnicas, a pressão pode gerar frustração. Além disso, o estilo de jogo intenso exige um condicionamento físico excepcional, o que em torneios longos pode se tornar um problema se o grupo não for bem rodado. Contra seleções que dominam a posse de bola, como a França, a estratégia de pressionar alto pode abrir espaços perigosos na defesa.
O que esperar do próximo jogo contra a Tunísia?
Com a classificação encaminhada, Pochettino deve poupar alguns titulares, mas sem perder a competitividade. A Tunísia, que empatou com a Coreia do Sul em 1 a 1, tem um sistema defensivo sólido e aposta em bolas longas para o atacante Youssef Msakni. Uma vitória americana garantiria 100% de aproveitamento e elevaria a moral para o mata-mata. O técnico argentino avisou que não quer relaxamento: “Respeitamos a competição. Quem entrar vai jogar para vencer”.
A partida no Rose Bowl, em Pasadena, será a última antes das oitavas de final e a expectativa é de casa cheia. Os ingressos estão esgotados há meses, e a torcida americana, que andava desconfiada, agora empurra o time de forma ensurdecedora. Esse respaldo das arquibancadas é um combustível extra que Pochettino aprendeu a valorizar.
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A vitória sobre o Uruguai mostra que o time é favorito contra qualquer europeia?
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Pochettino está confirmado para poupar titulares contra a Tunísia?
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