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Irã arranca empate da Bélgica e mantém sonho na Copa, mas drama de viagens persiste

Seleção iraniana segura pressão belga em jogo tenso e soma ponto crucial na briga por vaga no mata-mata, enquanto delegação enfrenta novos obstáculos logísticos fora de campo

Por Redação Rumo ao Hexa

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Irã arranca empate da Bélgica e mantém sonho na Copa, mas drama de viagens persiste

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O placar final Irã 1 x 1 Bélgica, em partida válida pela segunda rodada do Grupo F da Copa do Mundo 2026, mantém os asiáticos vivos na disputa por uma vaga nas oitavas de final. O gol iraniano saiu aos 28 minutos do primeiro tempo com Mehdi Taremi, de pênalti, e a Bélgica empatou com Kevin De Bruyne na etapa final. O jogo no SoFi Stadium, em Los Angeles, expôs a resiliência defensiva do time de Amir Ghalenoei e a dificuldade belga em furar retrancas. A tensão extrapolou as quatro linhas: a delegação do Irã chegou ao estádio com apenas duas horas de antecedência após o ônibus oficial quebrar na freeway 405.

A partida começou com a Bélgica dominando a posse, mas esbarrando na linha de cinco defensores montada por Ghalenoei. O Irã apostava em escapadas de Alireza Jahanbakhsh pela direita e na referência de Taremi no ataque. Aos 26 minutos, Jahanbakhsh foi derrubado por Zeno Debast dentro da área. O árbitro assistente de vídeo confirmou o pênalti, e Taremi deslocou Koen Casteels com categoria. A Bélgica sentiu o golpe, mas seguiu trocando passes sem profundidade até o intervalo.

No segundo tempo, Domenico Tedesco colocou Charles De Ketelaere no lugar de Leandro Trossard, e o time ganhou mobilidade. O empate veio aos 64 minutos, em cobrança de falta de De Bruyne que desviou na barreira e enganou Hossein Hosseini. A Bélgica pressionou nos minutos finais, acertou uma trave com Romelu Lukaku e parou em defesas milagrosas do goleiro iraniano. O 1 a 1 refletiu a ineficiência ofensiva belga e a disciplina tática do Irã, que segue com chances reais de classificação.

Por que o Irã não consegue resolver os problemas de viagem?

Os percalços logísticos da seleção iraniana nesta Copa do Mundo não são um capítulo isolado, mas a continuação de um histórico turbulento. A Federação Iraniana de Futebol enfrenta sanções internacionais que complicam transferências bancárias, leasing de aeronaves e contratação de serviços no exterior. Na primeira rodada, contra os Estados Unidos, o voo fretado da Iran Air sofreu atraso de sete horas por falta de autorização para reabastecer em território americano. Contra a Bélgica, o problema foi terrestre: um dos três ônibus designados pela organização quebrou no trajeto de Manhattan Beach a Inglewood.

Os jogadores precisaram ser divididos em vans de aplicativo, e o aquecimento pré-jogo ficou reduzido a 20 minutos. O técnico Ghalenoei minimizou o episódio na coletiva: “Não é desculpa. Jogamos pelo nosso povo e nos adaptamos”. Jogadores relataram, em off, que situações assim viram rotina. Há quatro anos, na Copa da Rússia, a delegação viajou em avião comercial porque a aeronave oficial estava com documentação retida. Em amistosos preparatórios para 2026, no Catar e no Canadá, os atrasos se repetiram.

Como o Irã se segurou taticamente contra a Bélgica?

Ghalenoei armou um 5-4-1 que, sem a bola, virava um 5-3-2 compacto. A linha defensiva formada por Majid Hosseini, Shoja Khalilzadeh e Hossein Kanani jogou praticamente dentro da área nos momentos de pressão. Os alas Ehsan Hajsafi e Ramin Rezaeian tinham ordem de não subir além do meio-campo, dobrando a marcação nos pontas belgas. Saeid Ezatolahi e Saman Ghoddos formaram um paredão à frente da zaga, enquanto Taremi recuava para bloquear a saída de bola de Amadou Onana.

A Bélgica finalizou 23 vezes, mas só seis bolas foram no alvo. O mapa de calor mostra que 68% das tentativas belgas partiram de fora da área, evidenciando a falta de infiltração. De Bruyne e Jérémy Doku tentaram tabelas e dribles curtos, mas o excesso de toques laterais facilitou a recomposição iraniana. Quando a bola chegava em Lukaku, o atacante já estava cercado por três marcadores. O Irã, por sua vez, finalizou cinco vezes e converteu a única chance clara que criou.

O resultado atrapalha a classificação da Bélgica?

Com dois pontos em dois jogos, a Bélgica está na terceira posição do Grupo F, atrás de Estados Unidos (4 pontos) e Irã (2 pontos, mas com saldo melhor). O empate não elimina os belgas, mas complica a disputa pela liderança. Tedesco precisará vencer o já eliminado País de Gales na última rodada e torcer por um tropeço americano ou iraniano. O problema maior é o desempenho: nas duas partidas, a Bélgica mostrou lentidão na transição e dependência excessiva de De Bruyne.

A defesa, que era dúvida antes da Copa, sofreu gols em ambos os jogos. Contra o Irã, um pênalti infantil de Debast reacendeu o alerta. Tedesco admitiu que o time “precisa ser mais vertical”, mas argumentou que o volume de jogo foi positivo. A torcida belga, contudo, vaiou o time após o apito final. A sensação é que a geração de ouro, mesmo renovada, ainda não encontrou o equilíbrio entre posse e profundidade.

O que esperar da última rodada do Grupo F?

Estados Unidos x Irã e Bélgica x País de Gales serão disputados simultaneamente no dia 27 de junho, às 15h do horário de Brasília. Os americanos jogam em casa, no MetLife Stadium, e dependem apenas de si para garantir a vaga. Se vencer, chegará a 7 pontos e eliminará o Irã. O empate coloca os dois em 5 pontos, o que pode favorecer os EUA pelo saldo de gols. Já o Irã precisa vencer para não depender de outros resultados.

A tabela de classificação até o momento mostra o equilíbrio do grupo:

SeleçãoJogosPontosSaldo de Gols
Estados Unidos24+2
Irã220
Bélgica22-1
País de Gales21-1

A Bélgica, contra País de Gales, tem a obrigação de vencer e torcer por um empate ou derrota iraniana. Se os EUA perderem e os belgas golearem, Tedesco ainda pode terminar na liderança. O cenário mais provável, porém, é uma definição nos detalhes, com possibilidade de critérios como fair play e número de cartões decidindo o segundo colocado.

O Irã tem chance real de avançar? Sim. Se vencer os Estados Unidos, chegará a 5 pontos e dependerá apenas do saldo de gols em relação à Bélgica, caso os belgas também vençam. Um empate pode servir se a Bélgica perder para País de Gales, mas aí os iranianos entrariam em critérios de desempate complicados.

A defesa belga é o ponto fraco do time? Os números sugerem que sim. Em dois jogos, a Bélgica cedeu quatro grandes chances claras e sofreu dois gols, ambos em falhas de posicionamento. Sem Jan Vertonghen, a zaga carece de um líder que organize a linha e corrija os buracos que aparecem nos contra-ataques.

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