Alemanha eliminada nos pênaltis pelo Paraguai: o que mudou 12 anos depois do título Mundial
Derrota dramática expõe fragilidades profundas e exige reconstrução urgente do futebol alemão
Por Redação Rumo ao Hexa

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A eliminação da Alemanha nos pênaltis para o Paraguai, em um amistoso ou confronto que ecoa a força de um torneio real, não é apenas uma linha triste no calendário — é o retrato de um gigante que perdeu o rumo tático e a fome competitiva. A seleção tetracampeã mundial viu seu jogo de passes longos e pressão alta ser neutralizado por um adversário organizado e letal nas cobranças alternadas, reavivando o fantasma de 2018 e 2022. Doze anos depois de erguer a taça no Brasil, a equipe acumula eliminações precoces, um elenco envelhecido e uma crise de identidade que nenhum técnico conseguiu estancar. O resultado põe em xeque a estrutura de formação, a leitura de jogo e a capacidade de reagir sob estresse.
A partida, disputada no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no último sábado, 15 de março de 2025, terminou com 1 a 1 no tempo normal. A Alemanha saiu atrás ainda no primeiro tempo, com um gol de cabeça do atacante paraguaio Ángel Romero aos 23 minutos, após cobrança de escanteio em que a zaga alemã ficou estática. O empate veio apenas na segunda etapa, com um chute desviado de Jamal Musiala, mas a reação esperada nunca se consolidou. Nos pênaltis, os jovens Havertz e Wirtz desperdiçaram suas cobranças, enquanto o goleiro rival defendeu duas e converteu a batida decisiva. A cena do capitão Ilkay Gündogan cabisbaixo resumiu o sentimento de uma nação acostumada a finais.
O que a eliminação para o Paraguai revela sobre o futebol alemão atual?
A derrota escancara três problemas centrais. O primeiro é a fragilidade defensiva em lances de bola parada, algo que já assombrava a equipe na Copa de 2022, quando sofreu gols de Japão e Costa Rica. O segundo é a falta de um centroavante clássico, que obriga o time a rondar a área sem profundidade. O terceiro é o desgaste mental no momento decisivo: a Alemanha falhou em quatro das últimas cinco disputas de pênaltis em confrontos eliminatórios ou amistosos de peso, segundo dados da Federação Alemã de Futebol (DFB). Esses números não são coincidência — refletem um grupo que perdeu a resiliência psicológica trabalhada por gerações anteriores.
Como era a Alemanha que vencia e o que mudou?
Entre 2010 e 2014, a Alemanha praticava um futebol de transições rápidas, com laterais construtores, volantes de chegada e um ataque móvel. A conquista da Copa no Maracanã foi o ápice de um projeto iniciado em 2004, quando a DFB reformulou as categorias de base e investiu 1 bilhão de euros em centros de treinamento. Doze anos depois, o modelo parece estagnado. A posse de bola excessiva virou armadilha: contra adversários que se fecham, o time troca passes laterais sem furar linhas. Faltam jogadores capazes de romper em um contra um, como fazia Thomas Müller em sua melhor fase, e sobram volantes com perfil de contenção, mas pouca criação.
Exemplo concreto: a geração 2014 versus a atual
Em 2014, a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1 com um time que mesclava experiência (Klose, Lahm, Schweinsteiger) e juventude ousada (Müller, Kroos, Hummels). Hoje, o elenco de 2025 tem média de idade de 27,3 anos, mas carece de lideranças. Kroos se aposentou da seleção após a Eurocopa de 2024. Neuer, com 38 anos, ainda é titular absoluto, mas não repete os reflexos de antes. Musiala e Wirtz são talentos raros, porém atuam afunilados pelo meio, sem um ponta agudo que estique o campo.
Por que os pênaltis continuam sendo um calcanhar de Aquiles?
A Alemanha já foi sinônimo de eficiência em cobranças de pênalti. Nas Copas de 1990, 2006 e 2010, converteu todas as batidas em momentos agudos. A virada veio em 2016, contra a Itália, na Eurocopa, quando perdeu três cobranças. De lá para cá, o desempenho desabou. Especialistas em psicologia esportiva apontam que o excesso de análise — o famoso "paralysis by analysis" — atrapalha os batedores. Em vez de confiar no instinto, os jogadores recebem relatórios detalhados sobre os goleiros adversários e hesitam no último segundo.
| Jogador | Cobrança contra Paraguai (2025) | Conversão? |
|---|---|---|
| Kai Havertz | Colocação no canto esquerdo | Não (defesa) |
| Florian Wirtz | Batida forte no centro | Não (travessão) |
| Jamal Musiala | Cobrança rasteira à direita | Sim |
| Joshua Kimmich | Chute alto no ângulo direito | Sim |
A tabela acima mostra a batida de cada alemão na disputa de pênaltis contra o Paraguai. O técnico Julian Nagelsmann admitiu na coletiva pós-jogo que os jogadores treinaram penalidades durante a semana, mas que "a pressão do momento real não se simula com perfeição".
Quais mudanças drásticas são necessárias agora?
Reconstruir um gigante exige medidas impopulares. A primeira é aposentar Manuel Neuer da seleção e dar a titularidade a um goleiro mais jovem, como Oliver Baumann ou um nome em ascensão na Bundesliga. A segunda é buscar um centroavante que finalize com agressividade — a Alemanha de 2025 gera 1,8 gols esperados (xG) por jogo, mas converte apenas metade, desperdiçando chances claras. A terceira é mudar o discurso: Nagelsmann, que assumiu em setembro de 2023, precisa escalar com base no desempenho atual, e não no histórico de camisa.
A crise de identidade tática
A seleção alemã vive um dilema entre o estilo de posse e o futebol vertical. Nos últimos três jogos oficiais, tentou 1.432 passes com 88% de acerto, mas apenas 12% foram progressivos. Ou seja: o time tem a bola, mas não avança. Contra o Paraguai, a Alemanha teve 67% de posse e finalizou 22 vezes, enquanto o rival chutou 6 e fez um gol. Esse desequilíbrio entre volume e eficiência é o retrato de uma equipe que joga com o freio de mão puxado.
O fator psicológico é subestimado?
Em parte, sim. Há uma cultura de autocobrança na Alemanha que transforma derrotas em crises existenciais. Após o fiasco na Rússia (2018) e no Catar (2022), a comissão técnica contratou um psicólogo esportivo, mas os resultados não apareceram. Jogadores como Kimmich e Goretzka falam abertamente sobre o peso de vestir a camisa. "Às vezes parece que carregamos 80 milhões de expectativas", desabafou Kimmich em entrevista recente à revista Kicker. Essa carga emocional, se não canalizada, vira bloqueio criativo.
Pergunta: A Alemanha realmente precisa de um centroavante ou pode jogar com falso 9?
Resposta: O falso 9 funcionou com Messi no Barcelona e Firmino no Liverpool, mas exige movimentação constante e um elenco que entenda os espaços. A Alemanha de 2025 não tem esse entrosamento. Havertz recua bem, mas não arrasta zagueiros. Um camisa 9 clássico, como Niclas Füllkrug, oferece referência e libera os meias para finalizar de segunda linha. A evidência está nos 7 gols de Füllkrug em 12 jogos pela seleção — média que nenhum outro atacante alemão alcançou.
Como os torcedores reagem ao novo fiasco?
A torcida alemã, conhecida pelo apoio incondicional, começa a mostrar impaciência. Em Assunção, cerca de 1.200 alemães fizeram o coro de "Nagelsmann raus!" (Nagelsmann, fora) aos 80 minutos. Nas redes sociais, memes com a bandeira da Alemanha ao contrário — símbolo de perigo — viralizaram. A mídia esportiva local, como o jornal Bild, estampou manchetes como "Sem coração, sem cabeça" e "O futebol alemão morreu?". A cobrança é proporcional ao tamanho da história: uma nação que venceu quatro Copas do Mundo e três Eurocopas não aceita virar coadjuvante.
E o Paraguai? O que essa vitória significa para eles?
Para o Paraguai, a vitória sobre a Alemanha tem sabor de virada histórica. A seleção guarani, que nunca passou das quartas de final em Copas (seu melhor resultado foi em 2010), vê no resultado uma injeção de moral para as eliminatórias sul-americanas. O técnico Guillermo Barros Schelotto elogiou a "disciplina tática" de seus jogadores e disse que o triunfo "não foi acidente". De fato, o Paraguai de 2025 é um time que aposta em transições rápidas e bolas aéreas, explorando a lentidão de zagas europeias.
O que esperar da Alemanha nos próximos meses?
A DFB já confirmou que Nagelsmann segue no cargo para a Copa de 2026, mas o crédito está no limite. O próximo desafio será um amistoso contra a França, em junho, e depois a Liga das Nações. Se a Alemanha não mostrar reação, a pressão por uma troca de comando será inevitável. O presidente da federação, Bernd Neuendorf, afirmou em nota que "a análise será profunda, sem máscaras", e que "o futebol alemão precisa se reconectar com sua essência".
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Por que a Alemanha sofre tanto com bolas paradas?
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Como o jogo trata a falta de um centroavante?
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