Alemanha e Holanda são candidatas ao título? Strikers da Suécia e a defesa do Equador sob análise
Quatro jogos movimentam a quarta jornada das Eliminatórias da UEFA: veja quem brilha e quem patina entre favoritos tradicionais e seleções em reconstrução.
Por Redação Rumo ao Hexa

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Alemanha e Holanda entram em campo nas Eliminatórias da UEFA com status de candidatas à Copa do Mundo de 2026, mas a realidade mostra duas seleções que ainda precisam provar que saíram da crise de identidade. O ataque sueco tenta se reinventar sem Ibrahimović, enquanto a defesa equatoriana quer repetir a solidez que a levou ao Catar. A quarta rodada da fase de grupos reúne quatro duelos que vão testar a profundidade de elencos, o encaixe tático e a fome real por protagonismo — não só nos gramados, mas também nas simulações que milhares de torcedores já rodam de graça para projetar cenários futuros.
O recorte europeu desta janela expõe um dilema incômodo. Alemanha e Holanda carregam camisas pesadas, mas os últimos grandes torneios transformaram o peso em fardo. A Mannschaft foi eliminada na fase de grupos de duas Copas seguidas (2018 e 2022) e viu a Oranje cair nas oitavas no Catar depois de sete anos longe do torneio. O técnico Julian Nagelsmann assumiu em setembro de 2023 com a promessa de devolver verticalidade e coragem, mas a goleada sofrida para o Japão por 4 a 1, ainda sob Hansi Flick, ecoa como alerta. A Holanda de Ronald Koeman oscila entre a solidez de Van Dijk e a escassez de um camisa 9 confiável — Memphis Depay, artilheiro do ciclo com 17 gols, perdeu espaço no Atlético de Madrid e virou peça de rotação, não de decisão.
O que falta para a Alemanha ser rotulada favorita outra vez A resposta passa menos pelo talento individual e mais pela capacidade de manter um plano coletivo sob pressão. Jamal Musiala e Florian Wirtz são joias geracionais: no Bayer Leverkusen, Wirtz acumulou 18 participações diretas em gol na Bundesliga 2023/24 antes dos 20 anos. Musiala, no Bayern, driblou 3,2 adversários por jogo na última temporada. Mas a dupla nunca atuou junta em um mata-mata de Copa. A defesa alemã, que já foi sinônimo de frieza, viveu um apagão contra a Colômbia em amistoso recente — levou dois gols em 11 minutos. O goleiro Marc-André ter Stegen, sucessor natural de Neuer, fez 82 defesas no Barcelona em 2023/24, mas a média de 1,4 gols sofridos pela seleção desde a Euro 2024 preocupa.
A Alemanha enfrenta a Bósnia nesta quarta-feira (14 de outubro de 2025, em Zenica) sabendo que qualquer tropeço reabre o debate sobre fragilidade mental. A Bósnia de Edin Džeko, com 38 anos e 66 gols pela seleção, é o tipo de adversário que testa a paciência contra linhas baixas. No último confronto entre as duas, em 2010, a Alemanha venceu por 3 a 1, mas precisou de um gol de pênalti aos 38 do segundo tempo para desmontar o ferrolho balcânico.
Por que a Holanda ainda gera desconfiança fora de casa? A Oranje visita a Grécia em Atenas com um retrospecto que incomoda: nas Eliminatórias passadas, perdeu para a Turquia por 4 a 2 e cedeu empate à Noruega nos acréscimos. O meio-campo com Frenkie de Jong e Tijjani Reijnders tem qualidade na saída de bola, mas a transição defensiva sofre quando os laterais se projetam. Denzel Dumfries, da Inter de Milão, é o melhor exemplo: 5 assistências em 8 jogos de eliminatória, porém 2,1 desarmes por partida — número baixo para quem defende um time que precisa controlar contra-ataques. A Grécia de Gustavo Poyet aposta em bolas longas para Vangelis Pavlidis, que marcou 29 gols pelo AZ Alkmaar em 2023/24. O duelo tático entre a saída de três holandesa e a pressão grega no 4-4-2 definirá se a candidatura ao título é legítima ou só fachada.
A tabela abaixo mostra o histórico recente das duas seleções contra adversários diretos no caminho para 2026:
| Seleção | Última Copa | Desempenho nas Eliminatórias atuais | Principais baixas |
|---|---|---|---|
| Alemanha | Fase de grupos (2022) | 2 vitórias, 1 empate | Gündogan (aposentadoria) |
| Holanda | Oitavas (2022) | 2 vitórias, 1 derrota | De Roon (lesão) |
O ataque sueco precisa de um herói: quem assume o vácuo de Ibrahimović? A Suécia recebe a Moldávia em Solna com uma necessidade urgente de gols que não depende só de nomes, mas de identidade ofensiva. Zlatan Ibrahimović se despediu da seleção em março de 2023 com 62 gols em 122 jogos — uma sombra que nenhum centroavante atual consegue cobrir sozinho. Alexander Isak, do Newcastle, é o candidato natural: 25 gols na Premier League 2023/24, velocidade de 34 km/h e capacidade de jogar fora da área. Mas a seleção sueca sob o comando de Janne Andersson marcou apenas 5 gols nos últimos 4 jogos de eliminatória, dois deles contra o lanterna Estônia.
Viktor Gyökeres, do Sporting, é a surpresa que pode equilibrar as contas. O sueco de 25 anos explodiu em Portugal com 43 gols em 50 jogos na temporada 2023/24 e um estilo mais físico — 1,88 m de altura, proteção de bola e faro de área que lembra um pouco o próprio Ibrahimović nos tempos de Juventus. A questão é se Andersson consegue escalar Isak e Gyökeres juntos sem sacrificar o meio-campo. Dejan Kulusevski, do Tottenham, funciona melhor como meia-atacante pela direita, e a escalação com dois homens de área exigiria laterais que cruzam com precisão — algo que Ludvig Augustinsson e Emil Krafth não entregaram nos últimos compromissos.
A Moldávia não é saco de pancadas: o alerta vem dos números A Moldávia perdeu para a Suécia por 3 a 0 em março de 2024, mas o jogo foi mais apertado do que sugere o placar. A defesa moldava, treinada por Serghei Cleșcenco, bloqueou 14 finalizações suecas nos primeiros 45 minutos. O goleiro Dumitru Celeadnic fez 7 defesas e só foi vazado em um pênalti duvidoso e dois contra-ataques já no desespero. A seleção da Moldávia tem o volante Vadim Rață como termômetro do time — ele cobre 12 km por jogo e dita o ritmo da transição. Se a Suécia não abrir o placar em 30 minutos, a ansiedade pode transformar a partida em um pesadelo tático.
Equador: a defesa que desafia o ataque do Uruguai O Equador viaja a Montevidéu para encarar o Uruguai de Marcelo Bielsa com uma muralha que virou referência no continente. A zaga equatoriana sofreu apenas 0,8 gols por jogo nas Eliminatórias para 2026 — a melhor média da Conmebol. Félix Torres e Willian Pacho formam uma dupla que combina imposição aérea (Torres ganhou 78% das disputas de cabeça) e saída limpa (Pacho, do Eintracht Frankfurt, completou 91% dos passes na temporada passada). O lateral-direito Ángelo Preciado, do Genk, é o coringa: marca, ataca e já deu 4 assistências no ciclo.
O goleiro Hernán Galíndez, naturalizado equatoriano e com passaporte argentino, defendeu 3 pênaltis desde 2023. A defesa não é só contenção. O Equador de Sebastián Beccacece — que substituiu Félix Sánchez após a Copa América 2024 — tenta sair em bloco baixo e morder no erro do adversário. Contra o Uruguai de Darwin Núñez (16 gols nas eliminatórias), a estratégia será repetida: fechar o corredor central, forçar cruzamentos e apostar na velocidade de Gonzalo Plata para castigar no contra-ataque.
Como o Uruguai pode furar essa defesa sem ser previsível? Bielsa escala o time com três atacantes, mas a engrenagem depende de Giorgian De Arrascaeta. O meia do Flamengo deu 2 assistências na vitória por 3 a 1 sobre o Paraguai em setembro, justamente encontrando espaços nas costas de uma defesa que se fechou demais. Contra o Equador, a paciência será testada. O Uruguai tem média de 62% de posse sob Bielsa, mas finaliza 14 vezes por jogo — volume que pode esbarrar na compactação equatoriana. A torcida em Montevidéu aperta, mas a defesa do Equador já mostrou que não se intimida: contra a Argentina em Buenos Aires, segurou o 1 a 0 até os 33 do segundo tempo, quando perdeu Pacho por lesão e sofreu o gol da vitória de Leo Messi.
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